A urna eletrônica completa 30 anos em 2026, ano em que o equipamento volta a ser protagonista nas eleições gerais de outubro. Desde a estreia, em 1996, ela transformou o Brasil no país com a maior votação totalmente informatizada do mundo, mas ainda guarda detalhes pouco conhecidos até por quem vota nela há décadas.
1. Nasceu com outro nome e cara de telefone público
A urna foi autorizada pela Lei 9.100/1995 e estreou nas eleições municipais de 1996, em 57 municípios, cerca de um terço do eleitorado da época, com força no Rio de Janeiro. Na época, o equipamento se chamava oficialmente “Coletor Eletrônico de Votos”.
O teclado numérico, no estilo de orelhão (telefone público), não foi acaso. A ideia era usar um formato que a maioria da população já conhecia, o que reduzia erros de eleitores com pouca familiaridade com computadores.
2. Em 2000, o Brasil votou 100% no modelo eletrônico
Apenas quatro anos depois da estreia, em 2000, todo o país já votava exclusivamente na urna eletrônica. Até então, nenhuma outra democracia do tamanho do Brasil havia dado um salto parecido na informatização do voto.
3. Um mito que a Justiça Eleitoral faz questão de desmentir
Circula a ideia de que o Brasil “exportou” sua urna eletrônica para outros países. Segundo o TSE, porém, isso é falso: pelo menos 34 países usam algum tipo de voto eletrônico, cada um com sistema próprio, desenvolvido de forma independente.
O próprio TSE já afirmou que essa confusão “não ocorreu somente no Brasil, como alegam, de forma enganosa, diversas fake news”.
4. A apuração está entre as mais rápidas do mundo
Enquanto países como os Estados Unidos podem levar dias para fechar a contagem de uma eleição, o Brasil costuma saber o resultado poucas horas após o encerramento da votação. Isso acontece porque todo o processo é digital, da urna eletrônica até a totalização dos votos.

5. De disquete a processador 18 vezes mais potente
A evolução técnica do equipamento mostra a distância de três décadas. A UE96, primeiro modelo, rodava com processador Intel 386SX, 2MB de memória e disquete para gravar os votos. Só em 2009 o disquete foi substituído por pendrive, ano em que a urna eletrônica também ganhou uma arquitetura de segurança para impedir o uso indevido do sistema.
Já o modelo de 2020 aumentou em 18 vezes a capacidade de processamento em relação às urnas anteriores e introduziu tela touchscreen para os mesários. Recursos de acessibilidade, como teclado em braile e fones de ouvido com áudio, existem desde o primeiro modelo, em 1996.
6. Testada em público desde 2002, com nova rodada antes de outubro
Desde 2002, o TSE realiza testes públicos de segurança, abertos a especialistas de fora da Justiça Eleitoral, que tentam encontrar falhas no sistema. Para as eleições de outubro de 2026, a rodada mais recente começou em dezembro de 2025: de 149 propostas de teste enviadas por pesquisadores e entidades, apenas 38 foram aprovadas e aplicadas às urnas eletrônicas, segundo o TSE.
Até hoje, não há registro comprovado de fraude nas urnas eletrônicas desde a implantação do sistema, em 1996.
Os números da urna eletrônica nas eleições de 2026
O parque de urnas eletrônicas que vai operar o pleito de outubro também mostra a escala da operação. Segundo o TSE, serão usados quatro modelos: UE2022 (217.145 unidades), UE2020 (222.323), UE2015 (95.065) e UE2013 (29.377), somando 563.910 urnas eletrônicas em todo o país. Do total, 77% são dos dois modelos mais recentes.
Do lado do eleitorado, o Brasil chega às eleições de 2026 com mais de 158,7 milhões de eleitores aptos a votar, dos quais 88,78% (cerca de 140 milhões) já têm a biometria cadastrada, segundo dados oficiais da Justiça Eleitoral. O primeiro turno acontece em 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro.
Com a votação se aproximando, a expectativa da Justiça Eleitoral é repetir o mesmo modelo: divulgar os resultados dos testes antes do primeiro turno e manter a apuração entre as mais rápidas do planeta. Para quem quer entender o que muda nas eleições de 2026, vale acompanhar também as regras de segurança digital que passam a valer para o pleito.
Perguntas frequentes sobre a urna eletrônica
Em que ano surgiu a urna eletrônica no Brasil?
A urna foi autorizada pela Lei 9.100/1995 e usada pela primeira vez nas eleições municipais de 1996, em 57 municípios, cerca de um terço do eleitorado da época.
A urna eletrônica já registrou algum caso de fraude?
Não há registro comprovado de fraude no sistema desde sua implantação, em 1996, segundo o TSE.
É verdade que o Brasil exportou a tecnologia da urna para outros países?
Não. Pelo menos 34 países usam algum tipo de voto eletrônico, mas cada um com sistema próprio, desenvolvido de forma independente. O TSE trata a ideia de “exportação” como desinformação.
Quando serão as eleições de 2026?
O primeiro turno das eleições gerais de 2026 é em 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro. Mais de 158,7 milhões de eleitores estão aptos a votar, segundo o TSE.
Por Redação TechOnPlay
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