Tesla Roadster: o que se sabe do novo carro, preço e quando chega

Por Fernando Lisboa | 16 de outubro de 2026, 5 min de leitura

Carro esportivo elétrico branco e futurista em pista de testes ao amanhecer, com propulsores soltando névoa fria na traseira

“Novo carro da Tesla”, “novo Tesla”, “Elon Musk” e até “Tesla stock” dispararam nas buscas do Brasil nesta quinta-feira. O motivo é o novo Roadster, que a empresa finalmente mostrou ao vivo em 15 de outubro de 2026, depois de anos de promessa. Reunimos o que foi confirmado, o que ficou no ar e o que isso significa para quem está no Brasil. Este texto é a versão pensada para o público brasileiro.

As informações vêm da cobertura da Electrek sobre a apresentação. Um ponto vale para o texto inteiro: os números de desempenho são todos da própria Tesla e não foram verificados de forma independente.

Três versões, e só uma parece carro de rua

A Tesla não mostrou um carro, e sim uma família. A base é o Roadster Performance, um esportivo estradal de dois lugares, com aerodinâmica ativa e um sistema de sucção que ajuda a grudar o carro no chão. Pelo que a Tesla informou, ele faz de 0 a 60 mph (cerca de 97 km/h) em menos de 1,6 segundo, número associado à reserva do carro.

Sobre essa base entram duas versões mais radicais:

  • Thrust: pensada para pista, com propulsores de gás frio na traseira. A promessa é de 0 a 60 mph em menos de 0,9 segundo, em lançamento limitado.
  • Rocket: a mais extrema, de um lugar só. Tem propulsores no perímetro do carro para movimento vertical e rotação, 0 a 60 mph em menos de 0,59 segundo e mais de 230 mph (cerca de 370 km/h). Será só por convite, e a própria página da Tesla diz que ela não é aprovada para vias públicas.

Ou seja, a Rocket é mais demonstração tecnológica do que carro para ir ao trabalho. Thrust e Rocket são acréscimos ao Performance, e é o Performance que realmente interessa a quem pensa em comprar.

Como funcionam os propulsores e a “sucção”

Os propulsores usam gás comprimido guardado em vasos de fibra de carbono. A Tesla diz que eles funcionam na atmosfera e entregam de quatro a cinco vezes a força que os pneus conseguem aguentar. Em português claro: o carro acelera com um empurrão que não depende só da aderência dos pneus.

Há também ventiladores de sucção que, segundo a Tesla, seguram o carro de cabeça para baixo. No modo pista, asas ativas geram um downforce que a empresa descreve como próximo ao da Fórmula 1, afirmação que não foi verificada. Trate tudo isso como promessa de palco até aparecerem testes independentes.

Design e autonomia

Visualmente, o Roadster aposta em faróis ocultos, lanterna traseira contínua, pintura “Ano White” e vidros escuros que lembram uma viseira. Por dentro, volante no formato yoke (com direção steer-by-wire) e tela central. Entre os materiais citados estão magnésio, titânio e fibra de carbono.

A autonomia anunciada é “acima de 300 milhas”, algo como 480 km, segundo a Tesla. A empresa não disse a qual versão o número se refere, e isso importa: propulsores e modo pista dificilmente combinam com alcance máximo.

Preço e reserva: o que existe de concreto

Aqui está a parte que mais gera busca, e a resposta honesta é curta: não há preço divulgado para nenhuma versão. O que a Tesla abriu foi a reserva. Dá para entrar na fila com US$ 5.000 na hora, reembolsáveis segundo a empresa, e mais US$ 45.000 em até 10 dias, somando US$ 50.000. É o mesmo valor pedido na reserva de 2017.

Esse total é um depósito para entrar na fila, não o preço final do carro. Como nenhuma versão teve valor definido, qualquer número que circule por aí como “preço do Roadster” é palpite.

Quando chega: a data ainda é um “talvez”

O Roadster acumulou adiamentos. A apresentação foi marcada e remarcada várias vezes, passando por abril, final de abril, agosto e 1º de outubro até acontecer em 15 de outubro. Quanto à produção, não há data oficial. Elon Musk disse apenas “2028, na verdade”.

Vale lembrar o histórico. O protótipo de 2017 prometia produção em 2020, autonomia de 1.000 km (620 milhas), mais de 250 mph (cerca de 400 km/h), quatro lugares no formato 2+2 e 0 a 60 mph em 1,9 segundo. Agora os números são outros: mais de 300 milhas de autonomia, mais de 230 mph só na Rocket e no máximo dois lugares. O autor da Electrek, que declara ter dois prêmios de indicação do Roadster Founders Series, também espera poucas unidades vendidas das versões de acrobacia.

Quem acompanha lançamentos de tecnologia conhece o padrão: promessa grande, data que escorrega e preço só no fim. Aconteceu em outros produtos, como o iPhone dobrável e seu preço no Brasil, e acontece com games, como nos requisitos de PC previstos para GTA 6.

O Roadster vem ao Brasil?

Até agora, não há anúncio de venda do Roadster no Brasil. A Tesla não falou em mercado brasileiro para esse modelo, e sem preço nem data de produção, qualquer previsão local seria chute.

O que dá para explicar é o mecanismo. Carros elétricos importados pagam imposto de importação, e esse tributo, somado a outros custos de trazer o carro, costuma deixar o preço final no Brasil bem acima do valor cobrado nos EUA. Como a Tesla ainda nem divulgou o preço em dólar, não existe base para estimar quanto ele custaria aqui, e não vamos inventar um número. O mesmo raciocínio explica por que gadgets importados chegam tão mais caros, como mostramos nos óculos inteligentes em 2026, com preços e riscos.

O que esperar e como acompanhar

Com produção apontada para 2028, o cenário realista é de muita espera. Nos próximos meses, os sinais que valem atenção são: preço oficial de cada versão, confirmação de quais mercados recebem o carro, testes independentes dos números de desempenho e qualquer mudança no calendário de produção.

Se você pretende reservar, lembre que o depósito de US$ 5.000 é reembolsável segundo a Tesla, mas leia as condições na página oficial antes de pagar. Para os demais, o Roadster funciona melhor como vitrine tecnológica: um carro que mostra para onde a Tesla quer apontar a imaginação do público, enquanto os modelos de rua seguem em outro ritmo.

Quem lê em inglês e mora nos EUA pode seguir a versão em inglês, para o público dos EUA.

Fontes: Electrek sobre a apresentação